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Unidade Básica de Saúde do Sul Fluminense – RJ: Um estudo sob o olhar dos estagiários de Nutrição

UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DO SUL FLUMINENSE – RJ: UM ESTUDO SOB O OLHAR DOS ESTAGIÁRIOS DE NUTRIÇÃO

Karina de Oliveira Carvalho1; Sílvia Moreira de Oliveira2; Joice Lopes Werneck3; Marilene de Oliveira Leite4*; Fernando Antônio Cabral de Sousa Júnior5

* Graduandos de Nutrição1,2,3; Doutora em Ciência e Tecnologia de Alimentos 4*; Mestre em Nutrição Humana5*. *CURSO DE NUTRIÇÃO – Centro Universitário de Barra Mansa – UBM. Rua Vereador Pinho de Carvalho 267, Barra Mansa – RJ – Brasil. marilene.leite@ubm.br

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Resumo


A graduação em nutrição permite a atuação na atenção básica à saúde, visando a segurança alimentar e nutricional e a atenção dietética, mesmo porque a nutrição deve estar inserida dentro de todos os locais onde a alimentação e nutrição sejam importantes para a prevenção,  manutenção, recuperação e promoção da saúde. Então era de se esperar que o nutricionista estivesse integrado plenamente em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a Rede Básica de Saúde (RBS), o que na verdade não ocorre. Nas últimas décadas, tem ocorrido uma transição nutricional onde se aumentou o número de óbitos por doenças crônicas não transmissíveis, sendo as doenças cardiovasculares as causas mais comuns, e entre os fatores de risco para o seu desenvolvimento encontram-se o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Objetivou-se com o presente estudo destacar a importância da atuação do nutricionista na atenção básica a saúde. A pesquisa é do tipo transversal, realizada em unidade básica de saúde às terças-feiras no horário vespertino, por acadêmicas, no período de agosto a dezembro do ano de 2009. Os resultados apontam que foram realizados 86 atendimentos e 42 revisões, onde 74,4% (n=64)  pertenciam ao sexo feminino e 25,6% (n=22) masculino. Correspondem à população adulta 97% (n=83) e 3% (n=3) infantil, quanto a prevalência de morbidades os maiores índices encontrados foram 42% de sobrepeso/obesidade 26% de hipertensão arterial, 16% de diabetes mellitus, 8% dislipidemia e 8% hiperuricemia . Realizou-se oficinas e palestras educativas , a partir de uma programação pré-definida, de acordo com as necessidades locais. Ocorreu uma maior participação na palestra sobre imunonutrição 35%, na interação fármaco versus nutriente 29% e na oficina sobre alimentos funcionais 14%. Através do estágio supervisionado em nutrição clínica, as estagiárias tiveram a capacidade de atuar nas unidades básicas de saúde, divulgando através do desenvolvimento de estratégias e ações a importância da atuação do nutricionista junto à comunidade. Concluiu-se que é de fundamental importância a inserção do profissional nutricionista na atenção básica de saúde.
Palavras-chave: Unidade Básica de Saúde, estagiários, nutrição.
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INTRODUÇÃO

A atenção básica é caracterizada como ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde biopsicossocial, na qual a atuação profissional nessa área deve envolver algo além da formação técnica, que envolveria uma formação humana apurada para atuar na comunidade. 1

De acordo com Chiapinotto et al.2 há uma controvérsia na unidade básica de saúde entre as prioridades de trabalho mediante a impossibilidade de atender todas as demandas, ainda cita-se que as crianças que apresentam risco nutricional são as que mais freqüentam o posto de saúde e que os problemas além de se repetirem são sempre os mesmos.

No Brasil, nas últimas décadas, tem ocorrido uma transição nutricional onde se aumentou o número de óbitos por doenças crônicas não transmissíveis, sendo as doenças cardiovasculares as causas mais comuns, entre os fatores de risco para o seu desenvolvimento encontram-se o diabetes mellitus e a hipertensão arterial. O acompanhamento das pessoas com diabetes mellitus e hipertensão arterial deve ser realizado dentro de um sistema hierarquizado de saúde, na qual a sua base é a atenção primária de saúde. 3

As doenças crônicas não transmissíveis levam uma sobrecarga no Sistema Único de Saúde, pois demandam de mais ações, além de serem de longa duração. O desenvolvimento de tais doenças é favorecido pelo hábito alimentar das famílias brasileiras, em que ocorre um aumento do consumo de alimentos fontes de gordura, açúcar e sódio e a diminuição dos alimentos fontes de fibras, vitaminas e minerais. 4

Para que a saúde pública consiga atuar diante esse problema, é essencial a promoção da alimentação saudável, estabelecendo como foco o curso da vida. Logo, a atuação do nutricionista na promoção da saúde deve incluir desprendimento, envolvimento, criatividade e ousadia. Muitos usuários da atenção básica desconhecem o trabalho do nutricionista, atribuindo a este a única função de elaboração de dietas. 6,4,5

É recomendado pela Organização Mundial da Saúde que os país desenvolvam estratégias de prevenção primária para a modificação do hábito alimentar da população, para possibilitar a diminuição do consumo de gorduras e amiláceos, aumentando o consumo de frutas e hortaliças. 6

Desta forma o presente estudo tem como objetivo destacar a importância da atuação do nutricionista na atenção básica a saúde.

MÉTODOS

A pesquisa é do tipo longitudinal e foi realizada durante o estágio de nutrição clínica no segundo semestre de 2009, em uma unidade básica de saúde localizada na região Sul Fluminense – RJ.

A amostra foi composta por 86 usuários de uma unidade de saúde de atenção básica que receberam atendimento nutricional através dos estagiários de nutrição de um centro universitário. Os dados apresentados ao longo do artigo foram obtidos a partir dos prontuários dos mesmos. Os dados foram caracterizados por sexo, grupo etário, prevalência de morbidades, número de atendimentos e de participantes nas oficinas e salas de espera. Para a análise dos dados utilizou-se o pacote do Microsoft Office Excel versão 2003.

As principais limitações encontradas durante a realização do estágio foi ser realizado apenas uma vez na semana, sendo que os atendimentos ocorriam durante o período da tarde. Desta forma, não foi possível o acompanhamento de um número maior da população.

RESULTADOS

Com referência a característica da clientela atendida durante o segundo semestre de 2009, foram realizados 86 atendimentos aos moradores do bairro e adjacências de diferentes classes sócio-econômicas e ainda 42 revisões, conforme tabela 1.

Tabela 1. Número de atendimentos no 2º semestre de 2009.

n %
Atendimentos 86 100
Revisões 42 48,8

Da população atendida observou-se que 74,4% pertencem ao sexo feminino, segundo demonstrado pela tabela 2.

Tabela 2. Número de Atendimentos por Sexo.

n %
Masculino 22 25,6
Feminino 64 74,4

Com relação grupo etário observou-se que 94% (n=81) são da população adulta, de acordo com a tabela 3.

Tabela 3. Número de Atendimentos por Grupo Etário.

n %
Infantil 2 2
Adolescente 1 1
Adulto 83 97

Observa-se na tabela 4 a prevalência de morbidades, onde os maiores índices encontrados foram 42% de sobrepeso/obesidade, 26% de hipertensão arterial e 16% de diabetes mellitus.

Tabela 4. Prevalência de Morbidades

n %
Diabetes Mellitus 14 16
Hipertensão Arterial 22 26
Hiperuricemia 7 8
Sobrepeso/Obesidade 36 42
Dislipidemia 7 8

Nota-se na tabela 5 que ocorreu uma maior participação da população, sendo 35% na palestra sobre imunonutrição, 29% na interação fármaco versus nutriente e 14% na oficina com o tema alimentos funcionais.

Tabela 5. Número de Participantes nas Oficinas e Salas de Esperas.

n %
Oficina Hipertensão arterial 7 10
Oficina Obesidade 8 12
Oficina Alimentos Funcionais 10 14
Sala de Espera Imunonutrição 24 35
Sala de Espera Interação Fármaco-Nutriente 20 29

DISCUSSÃO

Os resultados apresentados vão de encontro aos apontados por Ronzani e Silva1, onde a caracterização dos usuários da unidade de saúde correspondia a 76,3% por mulheres e a faixa etária predominante era dos 31 aos 50 anos de idade (44,4%), foram identificados 25% de hipertensão arterial e 93,4% de sobrepeso/obesidade. Paiva et al.3, destaca em sua pesquisa que 52 pacientes possuíam hipertensão arterial e 42 diabetes mellitus, com uma alta concentração no sexo feminino, na faixa etária dos 31 a 60 anos.

Quanto ao número de atendimentos, Pádua e Boog7 ressaltam que a partir do momento que a população conhece o trabalho do nutricionista, aumenta-se a busca por encaminhamento, da mesma maneira começam a surgir problemas específicos de nutrição, que já existiam, mas só foram identificados após atenção específica.

Segundo Paiva et al.3 embora a assistência básica valorize a integralidade, através dos atendimentos médicos e da enfermagem, bem como de trabalhos em grupos, 53,1% dos usuários entrevistados referiram nunca terem participado de palestras, grupos ou aulas relacionados com as suas doenças, pois não atendiam as suas necessidades. Os serviços de saúde têm dado pouca importância às atividades para a promoção de ações educativas e há uma dificuldade da equipe de saúde em criar estratégias eficientes de prevenção e promoção da saúde, dessa forma não há um ajuste entre o contexto social e histórico da população, os objetivos da equipe de saúde e os objetivos da população. Devido à falta do nutricionista, os agentes de saúde e enfermeiros realizam certas atividades de forma inadequada e/ou superficial, baseando-se muitas vezes em informações obtidas através da mídia, no qual nem mesmo os médicos têm a capacitação necessária para lidar com as questões alimentares. 1,8,9,10,6

A sala de espera, que é o local onde os clientes aguardam a consulta, é um local estratégico para transmitir informações sobre como cuidar da saúde, neste espaço físico que as palestras educativas ocorreram, a partir de uma programação pré-definida, de acordo com as necessidades locais. As ações de educação em saúde para a população têm resultados respeitáveis na edificação de uma nova forma de refletir sobre a saúde, consolidando um trabalho efetivo envolvendo a comunidade e os usuários no cuidado e promoção a saúde. 11,8 Logo, através do estágio supervisionado em nutrição clínica, os estagiários tiveram a capacidade de atuar nas unidades básicas de saúde, divulgando através do desenvolvimento de estratégias e ações a importância da atuação do nutricionista junto à comunidade.

A graduação em nutrição permite a atuação na atenção básica à saúde, visando à segurança alimentar e nutricional e a atenção dietética, mesmo porque a nutrição deve estar inserida dentro de todos os locais onde a alimentação e nutrição sejam importantes para a prevenção, manutenção, recuperação e promoção da saúde. O nutricionista está apto a receber as atribuições que lhes são designadas, objetivando comprovar o seu potencial de atuação, participando de forma efetiva na reformulação da atenção a saúde no Brasil, diminuindo as despesas com saúde pelo Estado. Então era de se esperar que o nutricionista estivesse integrado plenamente em todas as unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo a Rede Básica de Saúde (RBS), o que na verdade não ocorre. 6, 7

A falta do nutricionista nas unidades básicas de saúde muitas vezes está relacionada com a visão que os gestores públicos possuem, revelando que ainda não tomaram ciência da importância da atuação deste profissional, influenciada pela questão histórica e estrutural na política de saúde Com a inserção do nutricionista na equipe de saúde há uma melhor divisão do trabalho, gerando a diminuição da sobrecarga de funções e atividades, aperfeiçoamento do atendimento ao usuário e esclarecimento sobre a alimentação da comunidade para os demais profissionais de saúde. 6, 7

Embora a solicitação da nutrição para o desenvolvimento dessas ações não sejam lembradas, quando ocorre à inserção do nutricionista na unidade de saúde a demanda é muito alta. Portanto, se o nutricionista estivesse integrado na RBS, às ações aconteceriam de forma espontânea. 7

As estratégias de saúde na nutrição devem ser constituídas através da caracterização epidemiológica da comunidade e dos familiares, com a descrição dos agravos, prioridades, potencialidades e possibilidades de atuação a partir do reconhecimento da situação alimentar e nutricional. O local considerado privilegiado para a execução dessas ações é a unidade básica de saúde, incentivando e apoiando a adoção de hábitos alimentares saudáveis, permitindo a transmissão de informações e uma reflexão crítica a cerca dos fatores coletivos e individuais que influenciam o exercício em nutrição e saúde na comunidade, favorecendo o discernimento da população. Logo, existe um grande desafio no Sistema Único de Saúde (SUS) que é referente ao fortalecimento da rede de nutrição. 4

CONCLUSÃO

Os resultados das atividades desenvolvidas em campo de estágio vêm demonstrando a importância para a comunidade da construção de uma relação mais estreita entre esta e a vigilância da saúde, nutrição e alimentação na comunidade através de trabalhos de educação, conscientização e acompanhamento nutricional.

Devido à falta de profissionais nutricionistas, muitos usuários do SUS recebem orientações dietéticas inadequadas, não incorporando a mudança no estilo de vida e os hábitos alimentares saudáveis, portando não associando o tratamento clínico ao tratamento farmacológico. A nutrição é um alicerce para procedimentos fisiológicos e também patológicos, pois nada ocorre no organismo sem a ação de algum elemento nutricional. Portanto, a partir da inserção do nutricionista na atenção básica é possível promover a perda de peso necessário, reduzir os riscos de complicações, ou seja, atuar na prevenção, proteção, promoção e recuperação desses agravos, aumentando a assegurando a qualidade de vida da população.

O nutricionista é o único profissional que tem um conhecimento específico obtido através de sua formação acadêmica, utilizando de instrumentos e métodos adequados para efetuar o diagnóstico nutricional do indivíduo e da comunidade, vendo o indivíduo através de uma visão holística, desenvolvendo orientações dietéticas de acordo com a realidade de cada família.

O tratamento das doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias e obesidade, entre outras, incluem a educação em saúde. A educação em saúde envolve a realização de palestras e oficinas que atendam a demanda da comunidade, pois são fundamentais que estas sejam instruídas sobre o que é determinada doença, os fatores que podem desencadeá-las e os princípios que fundamentam sua prevenção e tratamento.

Dentro das medidas para a prevenção, promoção e recuperação da saúde destaca-se o atendimento nutricional individualizado, onde é efetuado o diagnóstico nutricional do paciente e as orientações e prescrições dietéticas de acordo com a necessidade nutricional e levando em consideração as condições socioeconômicas do indivíduo de forma ética e humanitária, possibilitando uma correta modificação no estilo de vida.

Portanto, através deste trabalho pode-se perceber a importância da atuação do nutricionista na atenção primária de saúde trabalhando como agentes promotores de saúde.

BIBLIOGRAFIA

1. RONZANI, T.M; SILVA, C. de M. O Programa Saúde da Família segundo profissionais de saúde, gestores e usuários. Ciênc. saúde colet. jan./fev 2008; 13(1):23-4.

2. CHIAPINOTTO, L; FAIT, C.S; JÚNIOR, M.M. O Modo de Fazer Saúde: reflexões sobre o cotidiano de uma unidade básica de saúde de Porto Alegre – RS. Saúde Soc. jan/abr, 2007; 16(1):155-64.

3. PAIVA, D.C.P. de; BERSUSA, A.A.S; ESCUDER, M.M.L. Avaliação da assistência ao paciente com diabetes e/ou hipertensão pelo Programa Saúde da Família do Município de Francisco Morato, São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública. fev 2006;22(2):377-85.

4. COUTINHO, J.G; GENTIL, P.C; TORAL, N. A desnutrição e obesidade no Brasil: o enfrentamento com base na agenda única da nutrição. Cad. Saúde Pública. 2008; 24 Suppl 2:332-40.

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6. SANTOS, A.C. de. A inserção do nutricionista na estratégia de saúde da família: o olhar de diferentes trabalhadores de saúde. Fam. Saúde e Desenv. set/dez 2005; 7(3):257-65.

7. PÁDUA, J.G. de; BOOG, M..C.F. Avaliação da inserção do nutricionista na Rede Básica de Saúde dos municípios da Região Metropolitana de Campinas. Rev. Nutr. jul/ago, 2006; 19(4):413-24.

8. ALBUQUERQUE, P.C. de; STOTZ, E.N. A educação popular na atenção básica a saúde no município: em busca da integralidade. Comunic., Saúde, Educ. mar/ago 2004. v.8(15):259-74.

9. PEDROSA, J.I. dos S; TELES, J.B.M. Consenso e diferenças em equipes do Programa Saúde da Família. Rev. Saúde Pública. 2001; 35 (3):303-11.

10. LEVY, F.M; MATOS P.E. de S; TOMITA, N.E. Programa de agentes comunitários de saúde: a percepção de usuários e trabalhadores da saúde. Cad. Saúde Pública. jan/fev 2004; 20(1):197-203. 11. MELO, G; SANTOS, R.M. dos; TREZZA, M.C.S.F. Entendimento e práticas de ações educativas de profissionais do Programa Saúde da Família de São Sebastião-AL: detectando dificuldades. Rev. Bras. Enferm. mai/jun 2005; 58(3):290-5.

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O Programa Saúde da Família

psf

Histórico do Programa Saúde da Família:

O Programa Saúde da Família (PSF) surge no Brasil como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial a partir da atenção básica, em conformidade com os princípios do Sistema Único de Saúde. O Programa Saúde da Família foi implantado em 1994 pelo Ministério da Saúde, com o propósito de assistência à saúde que visa à prevenção, promoção e recuperação da saúde (SILVA, 2003).

O Programa Saúde da Família (PSF), é uma estratégia de reorientação assistencial, mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade, ultrapassando os limites classicamente definidos. O objetivo do Programa Saúde da Família é a reorganizar a prática de atenção à saúde, levando-a mais próxima da família, para melhorar a qualidade de vida, tendo produzido resultados positivos nos principais indicadores de saúde das populações assistidas às equipes saúde da família (Ministério da Saúde).

A estratégia do PSF foi iniciada em junho de 1991, com a implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Em janeiro de 1994, foram formadas as primeiras equipes de Saúde da Família, incorporando e ampliando a atuação dos agentes comunitários (cada equipe do PSF tem de quatro a seis ACS; este número varia de acordo com o tamanho do grupo sob a responsabilidade da equipe, numa proporção média de um agente para 150 a 200 famílias)  (SILVA, 2003).

O atendimento é prestado na unidade básica de saúde ou no domicílio, pelos profissionais (médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde) que compõem as equipes de Saúde da Família (SILVA, 2003).

Função dos profissionais que compõem a equipe:

Médico Atende a todos os integrantes de cada família, independente de sexo e idade, desenvolve com os demais integrantes da equipe, ações preventivas e de promoção da qualidade de vida da população.

Enfermeiro Supervisiona o trabalho do ACS e do Auxiliar de Enfermagem, realiza consultas na unidade de saúde, bem como assiste às pessoas que necessitam de cuidados de enfermagem, no domicílio.

Auxiliar de enfermagemRealiza procedimentos de enfermagem na unidade básica de saúde, no domicílio e executa ações de orientação sanitária.

Agente Comunitário de Saúde Faz a ligação entre as famílias e o serviço de saúde, visitando cada domicílio pelo menos uma vez por mês; realiza o mapeamento de cada área, o cadastramento das famílias e estimula a comunidade (SILVA, 2003).

Cada equipe é capacitada para:

  • Conhecer a realidade das famílias pelas quais é responsável, por meio de cadastramento e diagnóstico de suas características sociais.
  • Identificar os principais problemas de saúde e situações de risco aos quais a população que ela atende está exposta.
  • Elaborar, com a participação da comunidade, um plano local para enfrentar os determinantes do processo saúde/doença.
  • Prestar assistência integral, respondendo de forma contínua e racionalizada à demanda, organizada ou espontânea, na Unidade de Saúde da Família, na comunidade, no domicílio e no acompanhamento ao atendimento nos serviços de referência ambulatorial ou hospitalar.
  • Desenvolver ações educativas e intersetoriais para enfrentar os problemas de saúde identificados (SILVA, 2003).

Tarefas do Agente Comunitário de Saúde:

¨      Cadastrar e diagnosticar as famílias, permitindo melhor conhecimento delas.

¨      Mapear a área, para melhor conhecer as ruas, os locais onde irá atuar, facilitando o planejamento e desenvolvimento do trabalho.

¨      Identificar as micro-áreas de risco, por exemplo, esgoto a céu aberto, sem a devida canalização, dentre outros problemas.

¨      Fazer visitas domiciliares pelo menos uma vez por mês.

¨      Desenvolver ações coletivas, ou seja, reuniões e encontros com diferentes grupos.

¨      Desenvolver ações intersetoriais com outros setores indiretamente envolvidos na saúde (SILVA, 2003).

A atuação da equipe se dá na seguinte forma:

  • Atenção curativa → se caracteriza pelo tratamento da doença.
  • Prevenção de Doenças → é uma ação antecipada, para tornar improvável a ocorrência de uma doença ou qualquer outro dano à saúde, com base no conhecimento de sua causa.
  • Promoção da Saúde → são ações que não se dirigem á determinada doença ou dano, mas que contribuem para que a população tenha mais saúde e bem-estar (SILVA, 2003).

Monitoramento e Avaliação O acompanhamento das ações e os resultados das atividades realizadas pelas equipes do PACS/PSF são monitorados pelo Sistema de Informação de Atenção Básica (Siab). Criado em 1998, foi pensado como instrumento gerencial dos Sistemas Locais de Saúde, adotando como conceitos básicos território, problema e responsabilidade sanitária, completamente inserido no contexto de reorganização do SUS no país, o que fez com que assumisse características distintas dos demais sistemas existentes (SILVA, 2003).